quinta-feira, 15 de abril de 2010

O Vinho e suas taças







Embora o vinho já fosse apreciado há cerca de 5.000 a.C., a história do copo para vinhos é muito recente, tem pouco mais de quatro décadas. Alguns fabricantes de copos, apreciadores da bebida, resolveram ir em busca da forma apropriada à degustação de cada vinho e suas características específicas. O aroma mais forte ou mais suave, a textura encorpada, a cor, cada detalhe não poderia ser negligenciado no momento da degustação e o copo de vinho, enquanto meio, deveria ressaltá-los.




Deixam-se de lado as formas ornamentais, o emprego das cores, os bisotados, o espaço exíguo do bojo e as bordas inadequadas – qualquer excesso que distorça a visão, o olfato, o paladar do vinho.




Agora, o conteúdo determina a forma também dos copos.






Vinho Branco








Os vinhos brancos podem ser apresentados em diversos copos :




A forma tulipa nos remete aos aromas florais e cítricos, típicos dos vinhos nela servidos. Menor o espaço, melhor a conservação da baixa temperatura, fundamental para esses vinhos.




Para os vinhos Rheingau, Grüner Veltliner, Mosee-Saar-Ruwer, Orvieto, Pinot (Blanc, Grigio, Gris), Riesling (Ka-binett), Roter Veltliner, Scheurebe, Sylvaner, Vernaccia, Welschriesling.




Vinhos firmes, fortes, mas de postura elegante, vivaz e vibrante precisam de espaço para os aromas e de borda aberta para abranger toda a boca. Para os vinhos Alsace, Aligoté, Chasselas, Chenin Blanc, Fendant, Furmit (Dry), Gutedel, Kerner, Melon de Bourgogne (Muscadet), Müller-Thurgau, Muskateller, Muskat-Ottonel, Neuburger, Re cioto Di Soave, Ribolla Gialla, Ruländer, Soave, Tokay, Trebbiano, Vin de Savoie (White).




A forma ovalada e a espessura de casca de ovo destacam a textura densa com lágrimas que escorrem suavemente, enaltecendo o aspecto visual. Os aromas explodem sem se perder. Na boca, reforça o frescor que contrabalança a licorosidade do vinho. Para os vinhos Sauternes, Ausbruch, Auslese, Barsac, Beerenauslese, Dessertwine, Jurançon Moelleux, Ice Wine, Loupiac, Monbazillac, Picolit, Quarts de Chaume, Tokaji, Trockenbeerenauslese.




Vinhos opulentos, densos, algumas vezes doces ou meio doces, beneficiam-se de espaços maiores para aeração e explosão de aromas ocultos. Para os vinhos Riesling Grand Cru, Alsace Grand Cru, Ewürztraminer, Grüner Veltliner, Jurançon Sec, Riesling (Late Harvest), Riesling Smaragd, Vouvray.




As borbulhas não podem se dispersar, por isso a postura retilínea, longa que destaca a cachoeira de pérolas às avessas. Por ser fechado, permite sentir melhor o frescor incisivo e a agulha delicada dos espumantes. Para os vinhos Champagne, Cuvée Prestige, Rosé Champagne, Vintage Champagne, Vintage Sparkling Wine.




Vinhos encorpados e complexos ao extremo. Brancos de alma tinta, amplos e plenos. Assim são esses vinhos, assim devem ser os copos. Para os vinhos Montrachet (Chardonnay), Burgundy (White), Chardonnay, Corton-Chalemagne, Meursault, New World Chardonnay. Pouilly-Fuissé, St. Aubin.




Vinho Tinto






Os vinhos tintos também têm os seus copos:




Frutas maduríssimas ou passas e certo aroma vegetal. O copo um pouco mais fino não deixa que os aromas se dipersem, além de colaborar com a temperatura, que não deve passar de 18°C. Para os vinhos Zinfandel, Ajaccio, Bardolino, Beaujolais Nouveau, Carignan, Chianti, Côtes du Roussillon, Côtes du Ventoux, Dolcetto, Freisa, Grignolino, Lambrusco, Montepulciano, Patrimonio, Primitivo, Sangiovese, Teroldego, Vin de Corse.




Espaço amplo para revelar os inúmeros aromas de vinhos mais evoluídos. A distância considerável entre o fundo do copo e a boca solta os sabores mais discretos. Para os vinhos Tinto Re serva, Crianza, Gran Re serva, Ribera del Duero, Rioja, Tempranillo.




Couro, especiarias, iodo, frutas e alcatrão no conjunto aromático. Pleno na boca. Esses são os vinhos que caem no copo como uma luva, ressaltando o aveludado do vinho e guardando sua complexidade. Para os vinhos Hermitage, Amarone, Barbera, Blaufränkisch, Châteauneuf-Du-Pape, Cornas, Côte Rôtie, Crozes Hermitage, Grenache, Malbec, Mourvèdre, Petite Sirah, Priorato, Saint Joseph, Shiraz, Sirah.




Bojo balão, com dimensão avantajada, permite aeração e faz explodir os aromas complexos – mas delicados de flores, frutas e especiarias presentes nesses vinhos. A borda aberta suaviza os vinhos nervosos, fazendo-os tocar alguns pontos da boca, essenciais para apreciar as sensações macias. Para os vinhos Burgundy Grand Cru, Barbaresco, Barolo, Beaujolais Grand Cru, Blauburgunder, Burgundy ( Re d), Clos de Vougeot, Dornfelder, Echézeaux, Gamay, Musigny, Nebbiolo, Nuits Saint Georges, Pinot Noir, Pommard, Romanée Saint Vivant, Santenay, Volnay, Vosne-Romanée.
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O uso de copos e taças específicas para diferentes bebidas tem relação com a concentração ou dispersão de aromas que se pretende obter, com a região da boca a ser primeiramente marcada pela bebida e ao isolamento térmico, protegendo as mãos do degustador no caso de líquidos quentes ou evitando que a bebida se aqueça em contato com suas mãos.

A escolha de uma taça de bojo largo e bordas de circunferência mais estreita, que se afunila na direção das narinas, pode auxiliar na concentração dos aromas, enquanto um modelo de boca mais aberta permite que eles se dissipem e sejam atenuados no momento em que aproximamos o líquido dos lábios. Da mesma forma, taças e copos longos, estreitos e cilíndricos tendem a jogar a bebida no fundo da língua, marcando primeiramente seu registro mais amargo, enquanto taças de boca mais ampla tendem a fazer com que a língua seja sensibilizada primeiramente nas regiões que registram os aspectos ácidos e adocicados da bebida.

terça-feira, 6 de abril de 2010

A História do Blues




A História


O Blues se originou com a voz dos escravos dos campos de algodão do sul dos Estados Unidos. Eles cantavam durante os trabalhos nas plantações para aliviar a dureza do trabalho. Enquanto os negros soltavam suas emoções, os brancos vislumbraram o lado prático da música.


Para os fazendeiros, as canções de trabalho ajudavam a imprimir um ritmo no campo e deixavam os escravos mais felizes. A partir de 1860, os spirituals - canções religiosas entoadas pelos negros africanos desde sua chegada à América - sofreram uma mutação fundamental. Além de apelar para Deus, os escravos começaram a curar suas dores de amor através da música.


O Blues é, também, o lamento do andarilho das estradas, o mesmo que chegou até as cidades, adotou o microfone e a guitarra elétrica, dai o Blues ser considerado o pai do Rock. E o é !


Criado no século passado, ele tomou sua forma final somente a partir de 1900. As primeiras gravações datam dos anos 10. Mas o Blues esperaria um pouco mais para florescer graças ao talento de Big Bill Broonzy, Bessie Smith, Muddy Waters, Otis Spann, Bo Diddley, B.B. King, Lowell Fulson, John Lee Hooker, Howlin, Wolf, Sonny Boy Williamson, Memphis Slim e Buddy Guy .

A transgressão não estava somente na conotação amorosa e sexual das letras do Blues. No formato musical, o estilo também marcou uma ruptura.

Fugindo da complexidade do Jazz e da rigidez dos eruditos, o Blues nasceu como uma música crua. ( o Blues é uma música fundamentada na escala pentatônica).


Com uma base harmônica quase simplória, o estilo disseminou-se rapidamente pelo sul dos Estados Unidos.


Tocar e cantar o Blues era, teoricamente, simples. Mas o que transformava um mero curioso num verdadeiro bluesman era o sentimento que ele colocava em sua interpretação.
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"O Blues não é uma escala pentatônica, Blues é acima de tudo sentimento..."


No final do século XIX, a alta taxa de natalidade provocada pela emancipação dos escravos proporcionou outros tipos de trabalho aos negros.


Muitos deixaram o campo e partiram para a periferia das grandes cidades do sul, como Chicago, Memphis e a região do Delta do rio Mississipi, nos estados de Arkansas, Tennessee, Alabama, Luisiana e Mississipi, para trabalhar nas primeiras metalúrgicas e refinarias do país ou em canteiros de obras.


Mas a maior parte deles foi parar nos entrepostos de algodão e tecidos. Esse movimento em direção às cidades do sul atingiu seu pico entre a virada do século XX e o final da primeira Guerra Mundial (1914-1918).


A formação de guetos foi inevitável. Neles, os negros ralavam, sofriam e também se divertiam. A procura por prazer em prostíbulos, bares e casas de jogo tinha um ponto em comum: a música. Neste ambiente, explodiu a revolução do Blues urbano.


Quando conseguiam descolar instrumentos musicais, os negros tocavam o banjor, um ancestral do banjo de origem africana, e o fiddle, espécie de violino trazido para os Estados Unidos pelos irlandeses.


O violão apareceria logo depois, graças à influência espanhola vinda do México. Os primeiros bluesmen profissionais formam uma categoria à parte. Incapacitados para o trabalho manual, cegos e deficientes encontravam na música seu meio de vida. Blind Lemon Jefferson, Blind Willie McTell e outros tantos Blinds (cegos) começaram assim. Também nascia a tradição do músico itinerante de vida na estrada.


O primeiro Blues a virar disco foi gravado em Nova Iorque pela cantora Mamie Smith, em 1920. "Crazy Blues" superou todas as expectativas, vendendo 75 mil cópias por semana. Com o sucesso, Mamie voltou ao estúdio três vezes em três semanas e virou febre.


A partir de 1921, todas as grandes gravadoras americanas passaram a ter suas "race series" (séries da raça), subdivisões que lançavam discos de músicos negros para o consumo da população dos guetos urbanos do sul.


A primeira onda de sucesso de vendas de discos foi capitaneada por cantoras como Bessie Smith, Geertrude Ma Rainey e Alberta Hunter. Até a segunda Guerra Mundial (1939-1945), o mais importante celeiro do Blues era a região do Delta do Mississipi. Ali surgiram bluesmen fundamentals como Charlie Patton, Tommy Johnson, Son House, Skip James, Big Joe Williams e o lendário Robert Johnson. Para alguns historiadores, o que fazia o Blues do Delta ser único era a forte influência africana, com um ritmo sincopado, mascado pelos pés, o uso do falsete nos vocais, repetições de um mesmo acorde e o uso de um truque que viraria uma marca registrada do gênero: o slide.


Deslizando o gargalo de uma garrafa ou um pedaço de osso - mais tarde, tubos de metal também seriam usados - ( futuramente conhecido como "slide") sobre as cordas do violão, o músico conseguia um efeito inédito no instrumento. Com o início da Segunda Guerra Mundial, o panorama social começou a mudar nos estados do Sul. Graças à entrada de negros nos quadros militares, surge uma promessa de integração racial.


Pura ilusão.


Encontrando o mesmo cenário na volta para casa, os negros passaram a se isolar cada vez mais em bairros próprios e nasce uma consciência racial que desembocaria nos movimentos pelos direitos civis dos anos 60.


No mundo da música, o esquecido Blues regional cede espaço para um som nitidamente urbano, marcado pela presença de um novo ingrediente: a guitarra elétrica.


Novas gravadoras abrem suas portas e outros bluesman passam a dominar a cena. Em Memphis, agora a capital da região do Delta do Mississipi, garotos como B. B. King, Elmore James, Sonny Boy Williamson e Howlin' Wolf dão seus primeiros passos.
Em Chicago, surge outra leva de gênios.
Lá nasceu a parceria de Muddy Waters e Willie Dixon, que rendeu frutos como os clássicos "Hoochie Coochie Man", "Mannish Boy" e "Rollin' and Tumblin'". A cidade Aina viu surgir Little Walter, Otis Rush, Magic Sam e Buddy Guy. Enquanto isso, o solitário John Lee Hooker levanta sua voz em Detroit. Cada um à sua maneira, todos deixaram sua marca na história do blues. Mas os Estados Unidos estavam mudando. Nos anos 50, o rock'n'roll explode, uma célebre frase resume bem essa situação: "O Blues teve um bebê e ele ganhou o nome de rock'n'roll.


A partir desta fase, o estilo criado pelos escravos do sul dos Estados Unidos começou a ser um ingrediente obrigatório na receita de inúmeros cantores e bandas de Rock. De Elvys Presley a Janis Joplin. De Roling Stones, Led Zeppellin a Deep Purple, passando por The Doors, Creedence Clearwater Revival e The Who, todo mundo sofreu alguma influência do blues, culminando com Jimi Hendrix e Eric Clapton (The God - Slow Hand), estes em diversas formações de banda ou em carreira solo.


A Lenda
ROBERT JOHNSON

Apesar de ter sido um dos últimos a aparecer, Robert Johnson foi o maior criador do blues do Delta. E sua vida tornou-se a lenda mais famosa da história do Blues (um exemplo é o filme "A Encruzilhada" filme este imperdível para quem quer conhecer um pouco do espírito do Blues).


Johnson nasceu em Hazlehurst, Mississipi, fruto de uma relação extra-conjugal de sua mãe, abandonada logo depois por seu pai, um trabalhador rural. Ele seguiu o mesmo caminho do pai e casou-se quando tinha 16 ou 17 anos. Depois da morte de sua mulher, enquanto tentava dar à luz, sua vida mudou completamente.


Johnson se entregou ao Blues, primeiro tocando gaita e depois violão. Ele logo começou a viajar pela região do Delta, apresentando-se em todo tipo de lugar. Quando sua fama começo a crescer, o bluesman sumiu por seis meses. Há quem diga que ele viajou pelo país em busca de seu pai.


Mas a lenda conta que, nesta época, Johnson estava fechando seu acordo com o Diabo. O negócio era simples: em troca de sua alma, Johnson tornar-se-ia o maior bluesman da área.


O próprio músico alimentava a lenda, compondo canções como "Crossroads" (Eric Clapton tem uma interpretaçao genial) em que narra seu "encontro" com o demo numa escruzilhada - e "Devil Blues". De fato, ele gravaria suas músicas logo depois e viveria um breve período de sucesso. Mas Johnson morreu com apenas 27 anos ( Jimi Hendrix, Janis Joplin e Jim Morrison também morreram aos 27 anos), em 1938.


As testemunhas de sua agonia colocaram ainda mais lenha na fogueira. O bluesman teria caído de joelhos, latido e uivado como um cão antes de morrer, seu nenhuma causa aparente.


A versão oficial é que Johnson foi envenenado por um marido traído. Seja como for, o mito eternizou-se. Desde então, Robert Johnson passou a ser venerado por todas as gerações de músicos de Blues.

Seus discos são itens obrigatórios em qualquer coleção do estilo e suas músicas foram regravadas incontáveis vezes. ( Me and Mr. Johnson - Eric Clapton - essêncial).
Mais que seus discos, ROBERT JOHNSON deixou seu legado, graças a ele, o Blues transcendeu raça, credo e cor.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Varietais




Na virada de 2009/2010, permiti-me visitar meu amigo Alvaro e desfrutar de sua incomparável receptividade, participar de sua confraria, degustar vinhos maravilhosos, como o inesquecível "La Creme - um Pinot Noir Californiano" , lembro-me dele como de uma amor juvenil de verão, sempre suspirando por sua volta...


Mas deixando o saudosismo prá lá, foi por causa incontáveis conversas que tivemos que escolhi escrever sobre vinhos varietáis, após buscar mais informações sobre o assunto.



Varietal é o vinho em que o nome da variedade da uva predominante aparece com destaque no rótulo. Daí a expressão 'varietal'. A idéia de utilizar a uva predominante surgiu nos EUA e, devido à aceitação do novo conceito pelos consumidores, seu uso acabou se globalizando.



A imensa maioria dos produtores mundiais já aderiu a esse sistema, com excessão nas regiões onde os vinhos, por lei, se denominam por regiões geográficas, distritos de produção ou vinhedos como é o caso de países participantes da União Européia. Nestes países, há casos de se encontrar tais informações no contra rótulo do vinho.



A porcentagem mínima mais encontrada é de 75% da variedade declarada no rótulo, sendo que por muitos anos foi de 51%. Com isso, alguns produtores mais espertos se aproveitavam para completar os restantes 49% com uvas de menor qualidade e não estamos falando do Brasil. Os produtores mais sérios já adotavam a atual quantidade mínima bem antes da exigência legal.



Quando realizada nas proporções corretas, o resultado final é um vinho complexo e mais equilibrado. Vinhos com 100% da mesma variedade, quase unanime nos brancos, são chamados de varietais puros, monovarietais. Já ouvi também o termo "blend".



A rotulagem varietal é muito mais ampla em áreas onde não haja restrições em relação às uvas e consequentemente vários tipos de vinhos podem ser produzidos. O fato é que essa tendência vem aumentando bastante até em países mais conservadores. O consumidor médio parece estar interessado em identificar com mais facilidade vinhos de diferentes uvas para então estabelecer preferências comparativas de preços e origens.



Sejam varietais, misturados ou puros, o que mais importa é que vinhos de qualidade estarão cada vez mais presentes na mesa das pessoas que sabem apreciar o que é bom.










segunda-feira, 22 de março de 2010

Vendendo a alma ao Diabo



Outro dia, conversando com meu amigo Dr. Alberto sobre blues, percebi que há tantas versões sobre a lenda de Robert Johnson vender a alma ao Diabo que resolvi pesquisar um pouco sobre o assunto.

Não tenho a pretensão de esclarecer algo ou tampouco sentenciar a verdade..., muito pelo contrário, prefiro acrescentar mais uma nas inúmeras polêmicas que existem acerca do inesgotável tema.



A lenda sobre o ato destemido, imprudente, desesperado de vender a alma ao diabo em troca de alguma aptidão especial ou “favor”, existe há séculos e tem sido associado a vários gêneros musicais, mas no foi blues que ficou marcado, com mais firmeza, como uma sina, prá ser um bom bluseiro, tem que vender a alma.



Apesar disso, a verdade é que, quando os cantores de blues falaram sobre o diabo, estavam mais se referindo a uma mulher ou patrão (chefe) que os maltratou do que do Príncipe das Trevas.




Skip James gravou “Devil Got My Woman” em 1931. Ele tinha uma voz incrível, onde certamente parece assombrado por infernal. Mas ele estava mais preocupado com sua mulher do que com qualquer outra coisa sobrenatural.



A maioria dos tipos de música não-religiosa (e muitas atividades) foram apelidados de “coisas do diabo” pelos frequentadores da igreja.



Assim, o blues ganhou o apelido duradouro de “Música do Diabo”, e por acabar sendo uma visão que a “diferenciava” dos outros gêneros musicais, alguns músicos de blues abraçaram a idéia, esperando que isso os fizesse famosos.



Uma grande estrela do blues, da década de 1930, chegou ao ponto de usá-lo como uma ferramenta de marketing – muito bem sucedida, por sinal. Ele chamava a si mesmo de “Xerife do Inferno” ou de “Cunhado do Diabo” (Devil´s Son in Law), e se tornou bastante popular e imitado por músicos de sua época. Peetie Wheatstraw provavelmente ganhou muitos fãs à procura de uma forma “ligeira” de rebelião, e fucionou porque ele apresentou uma alternativa – um tanto subversiva para a época, é verdade – para as atividades consideradas aceitáveis pela igreja sem ser verdadeiramente ameaçador. Peetie Wheatstraw se esforçou para criar essa “conexão” com o diabo, e foi bem sucedido na sua intenção . Além disso, seu público parece ter entendido que tudo era uma grande brincadeira.



Uma história bem diferente é a de Tommy Johnson, também está intimamente ligada com o diabo. No seu caso, a história que ele vendeu sua alma ao diabo veio anos depois de sua morte.



Foi seu irmão Ledell, um ministro da igreja, quem espalhou a história (já clássica, agora) de Tommy indo para uma encruzilhada para fazer um trato com o demônio e voltar com a habilidade de tocar qualquer música que ele quisesse. Embora nas músicas de Tommy Johnson não apareçam referências ao diabo, essa história tornou-se uma parte importante da mitologia do blues. Importante lembrar que ela saiu da boca de um homem devotado à Igreja, e que considerava uma vida “fora da igreja” como uma “vida do diabo”. “Big Road Blues” foi uma de suas canções populares, que muitos seguidores tocaram também.



A música (letra) “Devil’s Got the Blues”, de Lonnie Johnson’, demarcou a “ligação” entre o diabo e o blues com mais precisão do que nenhuma outra.



Lonnie Johnson canta:




"o blues é como o diabo, cai sobre você como um feitiço, deixa o seu coração cheio de sofrimento e sua pobre cabeça cheia maus pensamentos"
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O “blues” e o “diabo” representam o que há de errado no mundo. Assim, não é surpreendente que os dois se cruzem com bastante frequência, sendo o diabo mais frequentemente usado para representar um problema, e não a promessa de sacrificar a alma – como tão frequentemente é referenciado na lenda de Robert Johnson (que se aplica também a Tommy Johnson e outros).



Mas Robert Johnson era apenas um outro homem, que certamente sofreu influência desses artistas da sua época, mas ele deve ser lembrado por sua música e da tradição Bluesística de onde veio, e não como uma exceção que obteve seu talento através de meios sobrenaturais.




sobre Robert Johnson, outro dia... ele merece um só seu....

Algumas músicas sobre o tema:



Devil Got My Woman – Skip James


She Belongs to the Devil – Washboard Sam


Devil’s Son-In-Law – Peetie Wheatstraw


Peetie Wheatstraw Stomp – Peetie Wheatstraw


Big Road Blues – Tommy Johnson


Dealing with the Devil – Brownie McGhee


Devil’s Got the Blues – Lonnie Johnson




só pra Lembrar, Mr. Johnson, na próxima, quem sabe...

sábado, 13 de março de 2010




Pinot Noir




Considerada a grande uva da Borgonha, a Pinot Noir é uma variedade extremamente delicada, que sofre profundamente com as mudanças ambientais, como alternâncias de frio e calor, e é notoriamente complicada para trabalhar depois de colhida, já que sua casca se rompe facilmente, liberando o suco da fruta.

A ênfase recai tanto sobre a vantagem de plantá-la em climas frios como em fazer uma rigorosa seleção clonal, pois o plantio do clone errado em locais inadequados resultam em vinhos insípidos.

Mesmo depois da fermentação, o vinho feito com a Pinot Noir é de difícil avaliação fora do barril e, mesmo na garrafa, muitas vezes varia, apresentando-se fraco num dia e exuberante no outro.

Em geral, os vinhos Pinot Noir atingem a maturidade em 8 a 10 anos, declinando pouco tempo depois.

Além de ser a uva clássica da Borgonha, ela também tem seu papel na Champagne, onde é prensada imediatamente depois de colhida a fim de produzir suco branco.

A Pinot Noir é praticamente a única tinta cultivada na Alsácia.

Na Califórnia, os vinhos Pinot Noir se destacaram no fim dos anos 80 e início dos 90, e parecem ter possibilidade de progredir futuramente.

Para melhorar substancialmente a qualidade, é preciso não vinificar a Pinot Noir como se fosse Cabernet, deve-se plantar os vinhedos em climas mais frios e não se esquecer de que a produção deve ser pequena e controlada.

Aromas e sabores: Quando jovem, frutas vermelhas (framboesas, morangos e cerejas). Na Borgonha, notas florais (violeta), enquanto na Califórnia e na Austrália, surge o café torrado (aromas "empireumáticos").

Maduro, principalmente na Borgonha, lembra caça, couro, alcaçuz, trufas negras, estábulo e o "sous-bois", misto de terra úmida, cogumelos e folhas em decomposição.
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Sem dúvida, os melhores Pinots tem sua origem na Borgonha, mas hoje já há uma clara evolução em outras regiões, tais como a California (Vale do Napa), Austrália, Argentina (Patagônia) e no Chile.
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A Pinot é a mais feminina das uvas, elegante, sedutora e misteriosa.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Homenagem ao Dia Internacional da Mulher

Mulher...

Que traz beleza e luz aos dias mais difíceis
Que divide sua alma em duas
Para carregar tamanha sensibilidade e força Que ganha o mundo com sua coragem
Que traz paixão no olhar Mulher, Que luta pelos seus ideais,
Que dá a vida pela sua família

Mulher

Que ama incondicionalmente
Que se arruma, se perfuma
Que vence o cansaço

Mulher,
Que chora e que ri

Mulher que sonha...

Tantas Mulheres, belezas únicas, vivas,
Cheias de mistérios e encanto!

Mulheres que deveriam ser lembradas,amadas, admiradas todos os dias...
Para você, Mulher tão especial...

Feliz Dia Internacional da Mulher!

domingo, 7 de março de 2010

Video Blog

The Ford Blues Band


Little Wing

Jimi Hendrix

Well she's walking through the clouds
With a circus mind that's running round
Butterflies and zebras
And moonbeams and fairy tales
That's all she ever thinks about
Riding with the wind.
When I'm sad, she comes to me
With a thousand smiles, she gives to me free
It's alright she says it's alright
Take anything you want from me, Anything.
Fly on little wing,
Yeah yeah, yeah, little wing


Key to highway

versão: Eric Clapton (letra: Little Water)

I've got the key, to the highway,
billed out and bound to go
I'm gonna leave here running,
because, walkin' is most too slow

I'm goin' back to the border,
where I'm better known
Because,you haven't done nothin',
but drove, a good man away from home

Give me one more kiss, mama,
just before I go
I'm gonna leave this town,
girl I, won't be back no more

When the moon peep over the mountain,
honey, I'll be on my way
I'm gonna roam this highway,
until the break of day

Well it's so long, so long baby,
I'm gonna say goodbye
I'm gonna roam this highway,
until the day I die


quinta-feira, 4 de março de 2010

Maior encontro internacional de gaitas acontece no SESC Pompeia em março

Evento realizado anualmente pela Unidade é considerado o maior festival do gênero na América Latina

Nos dias 19 e 20 de março, o SESC Pompeia realiza pelo 9º ano consecutivo o Encontro Internacional da Harmônica.
O evento que procura valorizar a gaita é considerado o maior festival da América Latina e em 2010 reúne o gaitista e cantor norte americano Mitch Kashmar, o veterano argentino Adrian Jimenez, a catarinense Tiffany Helga, o carioca e pioneiro do blues nacional, Flávio Guimarães e, representando a tradicional escola da harmônica cromática brasileira, o Quarteto Pererê.
A gaita está para o blues assim como o sax está para o jazz e é nesse estilo que a maior parte do seu público pode ser encontrado.
Em suas oito edições anteriores, o Encontro Internacional da Harmônica atraiu um público superior a 7.000 pessoas, tornando-se o maior festival do gênero em toda América Latina.
Quem abre o festival em 2010 são os paulistanos do Quarteto Pererê.
No segundo show da noite, Flávio Guimarães, que está lançando seu sétimo álbum solo, sobe ao palco para mostrar seu blues.
E para finalizar a primeira noite, quem se apresenta é o norte americano Mitch Kashmar.
Na segunda e última noite, o público pode apreciar o som da catarinense Tiffany Helga, acompanhada do Capone Brothers.
Em seguida, o veterano argentino Adrian Jimenez sobe ao palco da Choperia do SESC Pompeia. Para encerrar a noite e o festival, Mitch Kashmar se apresenta novamente.
PROGRAMAÇÃO
Sexta-feira, 19 de março21h - Quarteto Pererê (São Paulo)21h50 - Flávio Guimarães (Rio de Janeiro)22h40 - Mitch Kashmar (EUA)23h50 - Término do show
Sábado, 20 de março21h - Tiffany Helga & Capone Brothers (Santa Catarina - Brasil)21h40 - Adrian Jimenez (Argentina)22h20 - Mitch Kashmar (EUA) 23h50 - Término do show
Serviço: SESC POMPEIA REALIZA 9º ENCONTRO INTERNACIONAL DE HARMÔNICA
Rua Clélia, 93 Dias 19 e 20 de março de 2010.
Sexta e sábado, às 21h.Choperia – Não é permitida a entrada de menores de 18 anos.
Ingressos: R$ 4,00 a 16,00
Lotação: 800 pessoas
Duração: 180 minutos
Telefone para informações: (11) 3871-7700
Acesso para deficientes – não há estacionamento próprio
Para informações sobre outras programações ligue 0800-118220
Funcionamento da bilheteria do SESC Pompeia – de terça a sábado, das 9h às 21h e aos domingos, das 9h às 20h. Aceitam-se cheque, cartões de crédito (Visa, Mastercard, Diners Club International e American Express) e débito (Visa Electron, Mastercard Electronic, Maestro, Redeshop e Cheque Eletrônico). Ingressos podem ser adquiridos em todas as unidades do SESC, incluindo CineSESC.*