quarta-feira, 23 de março de 2011

Um "sonzinho" fim de noite.....

Há várias receitas para se ouvir o velho mestre da guitarra, a maioria com um Bourbon, abaixo, a minha...

Um Pinot Noir - Saurus -Patagonia Select - 2006, um pouco de melancolia, uma noite chuvosa... e o velho mestre Slow hand


RIVERS OF TEARS



Its 3 miles to the river,
That would carry me away,
And 2 miles to the dusty street,

That I saw you on Today,
Its 4 miles to my lonely room,
Where I will hide my face,
And about a half a mile to the downtown bar,

That I ran from in disgrace,
Lord how long do I have to keep on running,

Seven hours, Seven days or Seven years,

All I know is since youve been gone,
feels like Im drowning in a river,

Drowning in a river of tears,
Drowning in a river,
feels like im drowning,

Drowning in a river,
In 3 more days Ill leave this town,
and dissapear without a trace,

A year from now maybe settle down,
Where no one knows my face,

I wish that I could hold you,
One more time to ease the pain,
But my times run out and I got to go,

Got to run away again,
Still I catch myself thinking,
One day I'll find my way back here,
You'll save me from drowning,

Drowning in a river,
Drowning in a river of tears,
Drowning in a river,
Feels like Im drowning,

Drowning in a river
Oh how long must this go on,




Drowning in a river,
Drowning in a river of tears








http://www.youtube.com/watch?v=7_ROxQedXjU






I Have the Blues Every day

domingo, 20 de março de 2011

Toscana - Uma uva, três nomes.

Toscana



A Toscana (terra "mia", Lucca - Lunata,) é uma das mais românticas e culturalmente mais vibrantes regiões vinícolas do mundo. Florença (MIchelangelo)  foi o berço do Renascimento e essa área ainda é um refúgio para todos os tipos de artífices: escultores, marceneiros, prateiros e naturalmente os vinhateiros. 

De Florença ao sul para Siena, e depois novamente ao sul até Montalcino, existem pequenas aldeias e cidades serranas que em muitos aspectos parecem intocadas pelo tempo. As vinícolas variam de tamanho, desde de pequenas até grandes vinícolas.


A Toscana também é o berço de três dos mais importantes vinhos tintos italianos: o Chianti, o Brunello di Montalcino e o Vino Nobile di Montepulciano (Barolo - uva Nebbiollo - da região do Piemonte - ao norte da Itália, outro grande vinho italiano que merece atenção). Embora todos sejam feitos com a uva Sangiovese – a mais importante uva tinta usada em todos os destacados vinhos tradicionais e considerada uma das melhores uvas da Itália, seus sabores são notavelmente diferentes.

Dai ai três nomes e uma uva

Sangiovese:

A Sangiovese aparece de maneira mais contundente, brilhante nos famosos Chianti Classico, com uma acidez marcante, típica para os molhos de tomate da região, mas vai muito bem com os impecáveis sanduiches de mortadela, clássico regional.

Originam, também, maravilhosos vinhos de guarda, entre eles o Castello di Ama, (que tanto desejo... eu chego lá...), mas no geral, seus vinhos são ótimos para o dia a dia...

Prugnolo Gentile:

Em Montepulciano, região mais quente, o amadurecimento da uva se dá de forma mais intensa, resultando em vinhos um pouco mais alcoólicos e mais macios. Esta denominação da Sangiovese, não aceita totalmente, vem crescendo em sua aceitação.









IMPORTANTE


O texto sobre os vinhos da Toscana já estava quase pronto, faltava apenas a revisão, mas... o blog trata de vinho e blues e por um momento único que vivi,  achei oportuno o pequeno texto abaixo, puro blues...

"O que dá vida ao Blues, é o sentimento, a interpretação da dor."

Muitas pessoas confundem o blues, o lamento explicitado, a tristeza cantada em versos, com depressão, a vocação pelo sofrer...

Ao cantar sua dor, ao revelar suas fraquezas, o verdadeiro "bluseiro" nada mais faz do que exorcizar seus males, curar suas feridas... Jamais deixará de viver intensamente, demonstrar seus sentimentos e, acima de tudo, seguir em frente.

Seus lamentos não são eternos, se eternizam pela música, sua dor é passageira, suas feridas cicatrizam...  Na verdade, são apenas momentos que poucos tem coragem de demonstrar e, ao fazê-lo,  não significa que desejam revive-los, mas sim, expressa-los e, quando o fazem, já foram superados, mas não esquecidos.

Apaixonar-se com profundidade e sem medo, viver cada momento como único sem se culpar pela perda, pela dor, são situações que cada um de nós pode e deveria vivenciar, mas apenas aquele que tem o sangue pulsante em suas veias e a coragem de expressar seus sentimentos pela música pode seguir em frente e ser chamado de bluesman!!!!

I have the blues every day.




bem, passado o momento blues...

Brunello:

O Brunelo di Montalcino é o vinho mais reverenciado da Toscana. É o vinho mais  raro, mais caro e mais duradouro da região, produzido em Montalcino (uma aldeia medieval murada, pendurada no topo de uma colina rochosa), seus vinhos granham ares sérios e com excepcional potencial de longevidade. As uvas não aproveitadas para o Brunello, são utilizadas para o menos nobre Rosso de Montalcino, vinhos mais simples, mas não menos prazeroso, afinal, é de Monltalcino!!!

Os vinhos da região da Toscana são apresentados anualmente em um grande evento típico chamado Anteprima Chianti Classsico, Anteprima Vino Nobile e Benvenuto Brunello ( DR.  ALBERTO . O CHILE É LEGAL  MAS... lembre-se "o quinteto irreverente"), juntando as três regiões em um evento único e imperdível!"!!!!!

Quem sabe em um deles estaremos presentes !!!!!!!!!

enquanto isso...


Bons Vinhos !

domingo, 13 de março de 2011

Eric Clapton - From the Cradle

Tamanha sua genialidade, Eric Clapton nunca pôde ser caracterizado como ícone de um único gênero. Os fãs, entre eles eu, sabem bem que em seu íntimo, "Slow hand" mantém um forte elo com o blues. Prova disso foi o lançamento do excelente From the Cradle. Trata-se de 16 faixas, incluindo-se clássicos de peso, que levam aos fãs a essência de um Clapton diferenciado, com alma de bluesman.

Abrindo o álbum, Blues Before Sunrise dá mostras do que vem pela frente. A sincronia perfeita entre os acordes da guitarra e o vocal propositadamente rouco de Eric fazem desta faixa a mais empolgante de todas.

Third Degree, Reconsider Baby, Hoochie Coochie Man e Five Long Years formam uma das melhores seqüências que já ouvi em um álbum de blues. Não apenas por se tratarem de quatro clássicos do estilo, mas principalmente porque Clapton os faz ficar ainda melhores. Em Third Degree, o bom e velho blues de fim de noite. A sonoridade imposta pelo Deus da Guitarra transporta o ouvinte ao Mississipi do início do século passado, quando os negros cantarolavam em tons melodramáticos. Reconsider Baby – de Lowell Fulson – traz incursões de um piano muito bem executado por Chris Stainton, eterno companheiro de Clapton.

Por todos os motivos pertinentes – trata-se de uma lenda do blues - Hoochie Coochie Man é a melhor faixa de From the Cradle. Na minha modesta opinião, nenhum outro blues representa tanto o gênero quanto este. Interpretado por Eric Clapton, torna-se um ícone da música mundial. Não menos clássica, Five Long Years é um show de técnica. A guitarra nas mãos de seu Deus transcende o que há conhecido no blues. 

Esse é o diferencial de Clapton.

I´m Tore Down reúne elementos do dançante rock n’ roll dos anos 50. E assim como em Five Long Years, o guitarrista justifica o apelido. A calmaria que reina em How Long Blues, por sua vez, faz com que este seja um dos blues mais prazerosos já gravados. A combinação piano-gaita-violão convida os fãs a se sentarem em um canto ensolarado e "saborearem" cada um dos acordes.

Particularmente, Goin’ Away Baby é a faixa mais modesta de From the Cradle. Traz um bom balanço, é verdade, um ótimo acompanhamento de gaita, mas não chega a contagiar. Em contrapartida, Blues Leave Me Alone e Sinner’s Prayer são ideais para serem ouvidas com um bom copo de whisky nas mãos (eu particularmente prefiro um bom Cabernet Sauvignon, mas os puristas dirão que não combina, às favas os puristas). A segunda faixa ainda ganha, mais uma vez, o vocal rouco de Clapton.

Motherless Child perde-se um pouco do estilo imposto ao álbum. Trata-se de uma faixa diferenciada, que agrupa elementos variados do blues. Vale ser ouvida com atenção.

It Hurts Me Too – clássico de Elmore James –, Someday After a While e Standin’ Round Crying são perfeitas. De todas as faixas de From the Cradle, são as únicas em que se percebe, do início ao fim, o estilo bluesman de Eric Clapton, sob todas suas influências.

E por falar em influência, Driftin’ é uma homenagem não explícita ao estilo único de John Lee Hooker. Trata-se de um autêntico boogie, com batida de pé e violão, apenas.

Groaning The Blues fecha o álbum com maestria. Clássico de Willie Dixon, o Deus da Guitarra o interpreta de forma que seu instrumento "chore" todas as notas, mesclando seu próprio virtuosismo ao estilo melodioso de BB King. From the Cradle, efetivamente, é um dos álbuns TOP da história do blues.

Temos neste disco um Clapton voltado ao Blues, mostrando toda sua essência, sua técnica e acima de tudo, sua magistral interação com o instrumento, que o levaram a ser chamado de o "Deus da Guitarra".

Em 2004, Eric grava o excepcional Session for Robert Jonhson, onde o mestre faz uma releitura dos grandes clássico da lenda do Blues.

Mas ai.. já é uma outra história para um outro dia...

I Have The Blues Every Day

domingo, 6 de março de 2011


Experimente

Harmonizar  vinho e comida é simples no atacado e complicado no varejo.


A regrinha básica desta difícil – e prazerosa – arte impõe: carnes vermelhas com tintos e peixes com brancos.
Fácil? Engano. Aí entram outros ingredientes, texturas e uma infinidade de variedades e sabores que complicam a combinação perfeita, isto é, aquela que maximiza o sabor do alimento e propõe uma parceria com o vinho. Para tentar ajudar aqueles que estão atrás da harmonização ideal são produzidas inúmeras e extensas listas que só confundem e atrapalham. 
Harmonização por cor
Uma associação cromática por similaridade pode facilitar o entendimento da regra básica da combinação comida e vinho.
  • Vinhos brancos combinam com alimentos menos coloridos, como as carnes brancas de peixes, aves e frutos do mar, e pratos com molhos igualmente brancos
  • Vinhos tintos combinam com alimentos mais escuros, como carnes vermelhas, molhos de tomate, de tonalidades mais escuras e, claro, molhos feitos com o próprio vinho tinto.
Harmonização por peso
Outra boa linha de harmonização aconselha a harmonização pelo peso dos alimentos. Aqui vale a reprodução do trecho do livro Comida e Vinho, dos especialistas José Ivan Santos e José Maria Santana (a gente sempre deve recorrer aos mestres que já se debruçaram sobre o tema, em vez de reeditar o que já foi escrito, certo?)
“Alimentos e vinhos têm peso, e ele deve ser levado em conta na harmonização. Um vinho potente vai atropelar uma comida leve e o contrário também é verdadeiro. As proporções de um e outro devem ser parecidas. Sabores delicados pedem vinhos delicados. A gente sabe quase naturalmente o que é uma comida leve ou pesada.
  • Peixe grelhado ou um espaguete fininho com molho de manteiga de sálvia são pratos sutis, um convite para um branco leve.
  • Uma refeição à base de pão e queijos de massa mole está mais para peso médio, acolhendo bem um branco de corpo médio, como um chardonnay sem muita madeira ou tinto jovem, um pinot noir ou malbec.
  • Cordeiro, caça, carnes e massas com molhos copiosos e com queijos de pasta dura são comidas de sabor forte. De maior peso, que pedem um vinho à altura, com um musculoso cabernet sauvignon, um barolo, um tannat ou um shiraz australiano potente.”
Quebrando regras
Mas as regras só existem para serem quebradas, não é mesmo? Você tem de agir conforme as circunstâncias. Em uma festa não cabe buscar a combinação perfeita, em um restaurante, quando um casal se divide entre um peixe e um cordeiro ou alguém sai perdendo ou ambos cedem – e se escolhe um tinto ou branco de corpo médio. Mas perder também pode significar arriscar. E tirar proveito da situação.
E branco com carne vermelha, pode?
Eu penso assim, tudo pode, se vai funcionar.. ai é outra historia...Certo dia cheguei em casa e tinha um delicioso chardonnay  aberto, um belo Argentino, linha Reserva, que confesso, foi comprado em um supermercado, e não falo qual, pois nunca me dão um descontinho, apesar da minha constante insistência...rsrs, mas voltando ao assunto,  um branco saboroso, de fácil degustação.
Neste dia, ou melhor, noite, após um mais um longo dia laborativo, como de costume, não tinha nada pronto, então que tal um "bifinho" grelhado com azeite e ervas, acompanhado com alguns legumes (batata, cenoura e algumas folhas e uns poucos tomates "sweet grap") era o que tinha na geladeira. Sem molhos para acompanhar. Ou seja, comida daquelas que se tem em casa, e não no restaurante, o verdadeiro "Catadão".
O que eu fiz? Aproveitei o vinho aberto, despejei na taça e fui sorvendo aos goles antes da refeição. Boca amaciada continuei com os goles do branco chileno entre uma bocada e outra do saboroso filé e seus acompanhamentos. Harmonizou? Desceu que foi uma beleza, não brigou com a comida, o filé era leve, os vegetais suavemente acompanhavam e o  vinho limpava a boca e agüentava o tranco com uma boa estrutura. Um tinto era a melhor saída? Sem sombra de duvidas, mas o objetivo aqui era experimentar – e aproveitar o vinho aberto.
Lição da noite: nada é tão rígido que não deva ser desafiado no mundo do vinho. Quem faz as regras é o seu paladar. Quando o resultado é positivo, é puro prazer.  O preço do erro é quebrar a cara, e passar a considerar o copo de água a combinação mais interessante. Audácias eventuais na harmonização merecem o aplauso, mas convém não exagerar e cair no mau gosto que pode render algumas vaias. Dos especialistas e do seu amigo enófilo? Não, essas não importam.  Vaias do seu paladar mesmo, seu melhor crítico.


sábado, 19 de fevereiro de 2011

Novos tempos

No competitivo mundo do vinho e com tantas variedades de marcas, a vinícola californiana JT Wines decidiu inovar nas garrafas de uma de suas linhas, usando como diferencial inéditos recipientes em alumínio, que além do mais vêm com tampa de rosca.

A vinícola explica que a nova garrafa é destinada ao consumidor jovem, com estilo de vida agitado, e que demandava uma embalagem prática para carregar bom vinho para onde for (a garrafinha cabe até no bolso, como as bebidas isotônicas). A novidade já está sendo distribuída em 20 estados dos Estados Unidos.

FLASQ é um vinho vendido em recipientes de 375 mililitros nas variedades merlot (tinto) e chardonnay (branco). Segundo a vinícola, baseada na cidade de Santa Helena, Napa Valley, na Califórnia, as garrafas de alumínio permitem que o vinho esfrie cinco vezes mais rápido do que nas tradicionais garrafas de vidro.

"As embalagens de alumínio são uma inovação bastante esperada que permitem oferecer vinhos premium a um novo segmento de público que não estava acostumado a consumir essa classe de bebida", afirmou Tim McDonald, fundador da JT Wines.


"Bons vinhos"

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

O Enólogo, o Enófilo, o Sommelier e o Enochato

Enólogo

O Enólogo é um profissional formado em Agronomia, com especialização em Enologia, ou formado em uma faculdade de Enologia.

No Brasil só existe uma Universidade que oferece este curso, está em Bento Gonçalves na Serra Gaúcha.

As profissões de enólogo e de técnico em enologia foram regulamentadas no Brasil em 2007, pela Lei nº 11.476, de 29 de maio.

O Enólogo trabalha na vinícola e é responsável por todas as decisões de produção do vinho: análise do solo, métodos de irrigação, escolha das mudas, da melhor técnica para plantar, para podar, para colher (nesta fase de cuidado com as plantas ele pode ter o auxílio de um agrônomo).

Após a colheita o enólogo define as técnicas de vinificação, os cortes (mistura de uvas), o tempo de amadurecimento e a hora de colocar o vinho no mercado.

O Enólogo precisa tomar decisões importantes durante todo o processo de produção e estas decisões são fundamentais para o resultado final, o vinho.


Enófilo
Enófilos somos todos nós que gostamos de vinhos, que fazemos anotações sobre os vinhos que tomamos, que freqüentamos confrarias ou encontros de vinhos, enófilos com diferentes níveis de conhecimento sobre vinhos.

Nós somos enófilos e você também é, embora nem soubesse disso.




Um comentário muito inteligente diz que:



"Enólogo é o cara que diante do vinho toma decisões, e Enófilo é aquele que, diante das decisões toma vinho" (de Luiz Groff).




Sommelier

Já que estamos falando dos personagens do vinho, precisamos ainda apresentar o Sommelier.

Ele é o soldado do vinho. Não raramente é um garçom talentoso para o assunto que estudou e se especializou.

O Sommelier é o profissional responsável por tudo relacionado ao vinho no restaurante ou loja (a escolha dos vinhos, a elaboração da Carta de Vinhos, a compra e reposição, o armazenamento e o serviço do vinho), bem como das outras bebidas (em alguns restaurantes mais diferenciados ele também é o responsável pelos charutos).

No Brasil até agora não existe uma regulamentação da profissão de sommelier. O projeto está parado no Congresso Nacional.

Por este motivo também não há uma escola responsável oficialmente pela formação desses profissionais, nem um currículo aprovado pelo MEC, nem um diploma reconhecido.

Diversas entidades ministram cursos profissionalizantes, como as ABS, as SBAV, os SENAC e várias escolas particulares.

Aqui cabe uma observação: a medicina já provou que as mulheres têm o aparelho olfativo melhor do que o dos homens. Sendo assim, com o "equipamento" garantido, cabe às mulheres se dedicar ao estudo dos vinhos e assim ocupar cada vez mais lugar no interessantíssimo mundo do vinho, seja como Enólogas, Sommeliers ou simplesmente Enófilas.


O Enochato

Enochato é aquela espécie da qual todos nós conhecemos um exemplar (ou vários).

O enochato chega às festas ou ao restaurante, pega uma taça, certifica-se de que tem bastante gente olhando, faz cara de entendido, gira o copo no sentido horário e com inclinação de 26,487º em relação a Greenwich, funga dentro da taça, revira os olhos, fala um monte de coisas complicadas e depois olha para as outras pessoas presentes com ar superior, como se elas fossem a ralé da humanidade por não entender de vinhos tanto quanto ele.

É justamente por causa dos enochatos que o vinho tem essa fama de coisa complicada, inacessível, sofisticada, exclusiva de gente rica, metida e chata.

Propomos aqui uma campanha internacional de extermínio dos enochatos e para isso não é preciso usar violência, basta que ninguém mais preste atenção às macaquices deles frente a uma taça de vinho. Sem platéia, o enochato murcha, perde a pose e sai de fininho.

É preciso acabar com essa impressão elitista que as pessoas têm do vinho.

No século 17, a Igreja Católica dava pão e vinho às famílias pobres! Vinho era considerado item de primeira necessidade, fazia parte da cesta básica!

Todo mundo deveria ter a oportunidade de aprender a tomar vinhos, sem achar que o vinho e sua cultura representam chatice ou um bicho papão, cheio de mistérios e dificuldades.

Bons Vinhos !

domingo, 16 de janeiro de 2011

As mulheres na história do Blues

      "O Blues possui uma aura maravilhosa. Ela parece vermelha, um vermelho que se identifica bem com o tipo humano, varia de lágrimas à pulsação rápida de prazer.
      O Blues tem essa capacidade de fazer o sangue correr mais rápido, principalmente depois da guitarra.
      É uma levada que descobre desejos trágicos, arrastados ou derramados.
      É sentimento puro." 
    
Bem... vamos às mulheres no Blues....

Anos 20




Existe uma entre as vozes que soa mais melancólica. Ela vem dolorida e corrompe qualquer estado de excitação causada por uma voz rasgada e sorridente. Um dos nomes e também uma das canções: CHIPPIE HILL. Ela começou a cantar aos 14 anos e como grande parte das cantoras teve seu início cantando, dançando e interpretando nas apresentações de Vaudeville. Ela gravou em 1926 “Trouble in mind” que depois seria sempre regravada, adotando várias personalidades e soando de formas diferentes. Entre essas personalidades estão NINA SIMONE, JANIS JOPLIN, JOHNNY CASH e JERRY LEE LEWIS. Mas esses são alguns, apenas os que eu ouvi. 



É uma voz tão feminina saindo com tanta dor. Tão feminina. Tem uma teoria de um famoso e polêmico homem que diz que o blues veio com as mulheres. Ao contrário dos “blind”, cegos e portando inválidos que não podiam fazer nada além, ou dos trabalhadores nas lavouras de algodão. Eram as mulheres que ficavam com a parte delicada. Isso Elijah Wald escreve em seu livro Escaping the Delta: Robert Johnson and the Invention of the Blues, Amistad, 2005, que ainda não tem tradução para o português. Tampouco nós buscaremos a tradução do mito, então prosseguiremos naquilo que compreendemos.



O fato é que BERTHA CHIPPIE HILL não foi a primeira moça a gravar um blues. Esse mérito entregaremos a MAMIE SMITH. No ano de 1920, no dia 10 de agosto, em Nova York, foi gravado “Crazy Blues” na voz da moça que assim como a primeira citada dançava e atuava, além de tocar piano. He makes me feel so blue, I don’t know what to do… Now I got the crazy blues, assim canta um voz forte e expressiva enquanto a agulha…arranhava.



Essa gravação foi feita pela Okeh, que devido o sucesso fez até uma sessão que viria a perdurar, as “races records”, ou seja: voz de negros para ouvidos negros.



No ano de 1949, por sugestão do jornalista Jerry Wexler viria a ser chamada de Rhythm and Blues records, já que gradualmente brancos começaram a fazer esse tipo de música.



CHIPPIE HILL trabalhava com uma outra mulher, uma tal MA RAINY. O tipo que seria chamada “que lata!”, ela era fogo. MA RAINY teve muitas importâncias. Ela também cantava e dançava em peças de Vaudeville, e tinha um perfil devasso. Começou também aos 14 anos. Dava grandes festas e ia presa por haver mulheres nuas e semi-nuas em seus aposentos, fazia barulho, em todos os sentidos. Em uma das músicas ela falava tranquilamente sobre lesbianismo, afinal, o que tem de mais em ser bissexual na década de 20? Ela tinha marido, filhos e gostava de meninos e meninas. A música é “Prove it on me” (They must’ve been women, ‘cause I don’t like no men), gravada em 1928. A voz de MA RAINY é bem voz de mãe do Blues, uma voz de quem acordou de manhã e não lembrou de ontem, uma voz opaca e intensa.



Assim forte existia mais uma mocinha, CLARA SMITH. Os comentários é que ela conseguia ser sensual e conquistar tanto homens quanto mulheres enquanto cantava. Era daquelas moças que sabiam o que estavam fazendo e dominavam todo um público. Fator que combina perfeitamente com sua voz dizendo “He’s mine, all mine”, dá até para ver a lascívia, experimentem escutar. Ela gravou músicas também com uma outra jovem, BESSIE SMITH, mais conhecida como a Imperatriz do Blues. As duas eram um tanto rivais.



BESSIE SMITH talvez seja o nome feminino do Blues mais conhecido. Ainda dentro daquele circuito de teatro, Bessie entrou como dançarina, pois MA RAINY já cantava. BESSIE também era bissexual, coisa que incomodava muitos ao seu redor e a expunha a mais um entre os preconceitos que a acompanhariam até a morte, sucedida por não haver atendimento médico a negros no hospital onde tentou socorro. Ao lado de sua “mãe” MA RAINY, BESSIE desenvolveu o seu potencial de cantar e apresentar-se. O mercado estava a seu favor e isso a tornaria a artista a ser melhor paga em sua época.



A música que primeiro estourou na voz de equilibrados arranhões e perfeita carga emocional de BESSIE foi “Downhearted Blues”, em 1923, escrita por Alberta Hunter, a sua compositora. Uma outra canção que mais remete a Bessie é “Nobody knows you when you down and out”, uma grande verdade escrita por JIMMY COX, regravada por ERIC CLAPTON, JANIS JOPLIN, NINA SIMONE e B.B. KING, entre outros brilhantes nomes, como ALBERTA HUNTER.



A compositora mais “bonitinha”, diga-se de passagem, é ALBERTA HUNTER. Sem ser menos intensa por isso, HUNTER escrevia e cantava músicas. Com seu sorriso de enrugar o nariz, cantava de um modo irreverente, e talvez por isso fosse impressionante quando parecia realmente chorar em um blues triste.



Existiu aí nessa brilhante década de 20, SIPPIE WALLACE. A encantadora e doce SIPPIE. Ela gravou em 1923 “Shorty George” e depois cantou novamente com JOHN MAYALL & THE BLUESBREAKERS em 1982. Ela deu uma paradinha depois do sucesso na década mãe, e retornou em 1966 para cantar ao lado de VICTORIA SPIVEY.



VICTORIA SPIVEY começou a carreira aos 19 anos e, assim como muitas outras, cantava em cassinos e cabarés, teve seu período de atuação e dança até tocar piano. Nos primeiros anos da década de 20 ela gravou com BLIND LEMON JEFFERSON e com IDA COX, mais tarde, compôs títulos indeléveis da história do blues, tais como “TB Blues”, de 1927, onde mostra, assim como em outras interpretações, uma voz aguda e solta, que parecia ser trilha sonora adiantada dos anos 50.



Depois dos anos 20

Se a década de 20 pertenceu aos grandes nomes do blues, os anos trinta afundaram-se em swing. Big Bands como as de GLENN MILLER (papanananananananaapáa) estouram e tomam conta da década. BIG BILL BROONZY e SONNY BOY aparecem no final dos anos trinta e início dos quarenta. É nesse início de década que T-BONE WALKER coloca a guitarra elétrica para gritar. Nos anos cinquenta o blues de MUDDY WATERS faz o ritmo extrapolar as barreiras territoriais.



Depois da guitarra





As cantoras de blues continuaram a gravar até essa época, mas com menos intensidade. O Jazz recebia mais atenções. Nesses anos BIG MAMA (Willie Mae) THORNTON grava “Hound dog” (1952) e “Ball and Chain”. A moça grande começou a cantar aos catorze na igreja batista, saiu de casa depois da morte da mãe e foi adotada musicalmente por MUDDY WATERS. Tocou entre os maiores nomes, principalmente nos anos 50 e 60, época digamos que de ouro do blues elétrico. Ela tinha um jeito muito peculiar, tocava gaita de boca com perfeito domínio, além de tocar bateria, era de um estilo único.BIG MAMA teve fases de alcoolismo e acabou morrendo por complicações no fígado.



E, então, surge um nome doce como chocolate: KOKO TAYLOR, que recebeu o primeiro nome justamente por gostar tanto de chocolate (que vem do cacau) e que se inspirava em VICTORIA SPIVEY. Koko gravou “Wang Dang Doodle” em 1968, escrita por WILLIE DIXON. KOKO é totalmente apaixonate, tem uma voz negra, canta com arranques e torna maravilhosas canções como “I’m a Woman”, maravilhosamente clássica: I’m a woman, I’m a ball of fire. Não a toa é chamada “rainha do blues”, procurem o álbum “The Eartshaker” e comprovem.



KOKO TAYLOR morreu em 3 de junho de 2009 . Existe uma menina ruiva que canta músicas que antes estavam em sua voz, como “Queen Bee” (variação da música “King Bee”), SUE FOLEY. Sue é branca e tem uma voz assim, se aproxima, talvez, de VICTORIA SPIVEY. Sue toca guitarra e blues desde 1984 e teve sua primeira gravação em 1992.



King Bee foi gravada também por músicos do filho do blues, o Rock and Roll (que segundo RAUL SEIXAS morreu com ELVIS PRESLEY) , por nomes como ROLLING STONES.



LED ZEPPELIN também gravou um blues antigo. Claro, gravou muitos, mas entre eles um bastante importante, composto por uma moça que quase não se ouve falar e tampouco encontra-se informação: MEMPHIS MINNIE. É o tipo de mulher que dá orgulho. Ela foi a primeira em sua época, ou seja, nos anos 20, a cantar e tocar violão, além de fazer as suas composições. Depois, quando T-BONE WALKER trouxe os ruídos elétricos, foi uma das primeiras mulheres a tocar. É por isso que ela está na capa dessa reportagem. LED ZEPPELIN gravou When the levee breaks, e isso é só uma parte. Na lápide dela está escrito:




                                        "Listening to Minnie's songs we hear her fantasies, her dreams, her desires, but we will hear them as if they were our own"



Escutando as músicas de Minnie nós escutamos suas fantasias, seus sonhos, seus desejos, mas escutamos isso como se fossem nossos.



Ela conseguiu traduzir em suas musicas o que é o Blues... ou pelo menos.. o que pensou ser o Blues...

Há inúmeras Damas do Blues.. não tenho a intenção nem a pretenção de impor regras e conceitos....determinar quem é melhor ou pior.. o Blues é sentimento.. cada um sabe o que lhe agrada.. o que lhe toca...


I Have the Blues Every Day.


sábado, 15 de janeiro de 2011

As mulheres e o vinho: arte de viver bem

O mundo feminino e as surpresas em relação ao vinho, considerado fundamental para a boa convivência entre amigos

Uma pesquisa realizada em cinco países com mulheres chegou a uma conclusão feliz: o vinho é um componente importante na arte de viver bem. Por séculos considerado um elemento de civilização, é a bebida nobre por excelência, resultado de um “savoir-faire” especial do ser humano em comunhão com a natureza.



Mais de 4 mil consumidoras da França, Alemanha, Inglaterra, Japão e Estados Unidos foram convidadas a responder à pesquisa e o resultado foi este: o vinho é uma arte de vida para 53,7%, um produto cultural para 42% e uma tradição para 40% delas.



E quando bebem vinho? Para 68,6%, “nos momentos privilegiados e conviviais entre amigos”, e para 71,2%, preferencialmente à mesa, durante os almoços ou jantares. E essa bebida não é moda para as mulheres consultadas, mas sim um prazer permanente, com 79,3% delas respondendo, simplesmente, que amam o gosto do vinho. De preferência tinto, com dois terços das entrevistadas indicando essa escolha.



Outro dado importante é que o vinho não é visto como uma bebida capaz de trazer riscos à saúde, com 85% respondendo que é “compatível com um regime alimentar equilibrado”.



E 44,3% delas, no total, escolhem sozinhas os seus vinhos, sem conselhos ou ajuda de conhecedores. Mas há uma grande diferença cultural nesse quesito: enquanto 61,3% das inglesas se declaram independentes na hora de comprar uma garrafa, apenas 7,3% das japonesas se mostram capazes de fazer isso.



E qual o principal critério de escolha na hora da compra? O país de origem e as variedades de uva contam, mas ganha uma taça de champanhe quem acertar o que vem à cabeça das mulheres em primeiro lugar, diante da prateleira: o preço. Naturalmente.

(Fonte: Viti-net)

A melhor harmonização do vinho é em boa companhia, com muita alegria e prazer.


Bons vinhos.